sexta-feira, 21 de março de 2014

Os ocupados e os observadores. Jogos sensoriais.

Março

Sexta feira dia 21


Hoje dia dos brinquedos de casa, não houve notícias do dia.Foram lembradas  as regras para que este dia que  tanto gostam, seja passado da melhor forma.

As sextas feiras têm-me mostrado que existem crianças com muita dificuldade em se ocupar sem intervenção do adulto. Mais nos meninos que nas meninas. Algumas crianças de imediato se aliam a outras e descobrem um mundo. Outras, sentem-se muito perdidas não se ligando nem a objetos nem a amigos. É esta barreira que pretendo ultrapassar. Quando uma criança se ocupa ela está a recriar o mundo dela, está a interessar-se por algo que é intrínseco. Quando a criança deambula pela sala sem se interessar por nada é sinal que a sua auto estima não está no "ponto", ou que existe algo que o incomoda.

No grupo de 25 crianças vemos as meninas que adoram vestir-se e despir-se com as várias caraterizações que temos na sala, alguns meninos também partilham deste interesse mas são sobretudo os "adeptos dos médicos". Temos os fãs dos puzlles, temos os modeladores de plasticina, temos os pintores, os construtores de casas e pontes, temos os informáticos que já dominam o "paint" com perícia, temos por fim os observadores que gostam de ver o que os outros fazem.

No período da tarde, voltou o adulto a dominar as atividades, fazendo jogos tatéis. Foi hoje o objeto de descoberta as formas as espessuras e o tamanho. Cada criança de olhos tapados teria que identificar a forma que tinha nas mãos, dizer se era fino ou grosso e se era grande ou pequeno.

Eis os registos:




No final perguntei ao grupo se poderíamos também descobrir a cor de olhos fechados. Os mais velhos disseram de imediato que não. 
Porquê? 
Aida -  porque não! não se sente a cor...



quinta-feira, 20 de março de 2014

Festejar a chegada da Primavera

Março

Quinta feira dia 20

Hoje a conversa da manhã foi feita na mesa do hall de entrada.  A maioria das crianças trouxe as frutas conforme combinado no dia anterior. Vimos que havia muitas bananas e laranjas. Algumas maças, pêras, kiwis, 1 ameixa e uma caixa de morangos. 

Ao iniciarmos a salada de frutas, tivemos um contratempo, acabou a água. O receio que a água não voltasse até há hora do almoço impediu de usarmos as tigelas para colocar a fruta que se ia partindo.
Solução encontrada? Cortarem todos a fruta para o mesmo sitio. A maioria das crianças cortou morangos. Outros descascaram as laranjas. As frutas mais duras foram preparadas pelos adultos. Mas alguns meninos não desistiram e ainda cortaram uns pedaços de maça.

Feita a salada, fomos para a sala lanchar e combinar o plano do dia uma vez que hoje era um dia especial. 

Definimos a seguinte sequência:

Depois do lanche, teríamos  música, depois relaxávamos no jardim.  Quando todos os meninos acabassem a aula de música faríamos uma sobremesa antecipada de frutas.

Assim aconteceu, no jardim quase todos comeram a fruta com satisfação. Alguns meninos repetiram 3 vezes. O dia  tornou- se bonito, as nuvens tinham desaparecido. Parecia que a nossa homenagem à nova estação do ano estava a resultar.

No período da tarde, fizemos combinações de flores. Foi esta a forma de nos lembrarmos que a primavera chegou.

Ter noção das estações do ano é uma forma de a criança ir construindo a noção de tempo, a noção do ano.

 Eis os registos em imagem:




manifestação de carinho 









poucos foram as crianças que não comeram. Perguntei ao Gonçalinho Mauricio se já tinha comido pois não tinha o copo na mão. Diz-me ele:
- Já comi tudo. 
- E o copo ond está?
- Comi também...
Finalmente lá contou a verdade, "Não quero, não gosto!"
Na parte da tarde, foi assim:







terça-feira, 18 de março de 2014

O mau pai é muito forte, pode fazer tudo... A prenda para o pai.

Março

Terça feira dia 18

Hoje não tivemos a habitual conversa da manhã. Dividimos os materiais e as crianças agruparam-se em função das suas escolhas.

Os mais novos já tinham iniciado a prenda no dia anterior pelo que foi só acabar. 

Como guardar o jogo do galo foi um processo que tivemos que ultrapassar. As caixas estavam pensadas a Augusta deu uma ajuda e a meio do dia estavam prontas a pintar, com exceção de algumas crianças.

A sala estava com um ambiente de trabalho em todos os cantos. As criança de quatro e cinco anos escreveram a própria mensagem e os meninos mais novos puseram a mensagem no coração que colaram. A Mónica fez muitas bolinhas que eram os beijinhos par ao pai.

Eis algumas imagens. 

Cada criança vestiu o pai. Cabelos grandes ou pequenos, nariz comprido ou curto, bigode ou não, cada criança fez o pai como quis.

O verso da grelha do jogo do galo. O pai em grande plano.

 
 


segunda-feira, 17 de março de 2014

O meu pai... Teatro - A Higiene oral

Março

Segunda feira dia 17

A conversa da manhã foi sobre o pai. Cada um falou sobre as brincadeiras e os momentos que mais gosta quando está com o pai. Notou-se que todas as crianças têm laços familiares muito fortes. 
 "O meu pai é o mais forte!" " Não o meu é que é!"

Decidiram hoje o que cada um queria fazer, a variedade era extensa, os materiais disponíveis  escassos pelo que decidi por duas das atividades: Fazer o jogo do galo ou fazer a representação do  pai. Esta representação colocar-se-á numa garrafa de água. A garrafa seria de água. Porquê água?
Porque é fundamental para a nossa vida tal com os pais. 

As crianças fizeram a opções e aguardaram para começar pois tínhamos um teatrinho   feito pelas alunos do curso de assistentes operacionais à nossa espera. O tema era a higiene oral.

Todas as crianças estiveram atentas o nível de compreensão da história variou mas o visual e a ação prenderam-lhes a atenção. Falou-se em baterias, micróbios amigdalites e  gengivites, dentistas e meninos gulosos.

No Período da tarde, os meninos que tinham feito a escolha de fazer o jogo do galo escolheram as tampinhas no grande pote que temos no jardim. Confrontaram-se com centenas de tampas para escolher 10.
Eis alguns dos registos:












sexta-feira, 14 de março de 2014

Quero mais!

Março

Sexta feira dia 14

O registo que vos deixo hoje é um sentir de quem gosta do que faz mas nem todos os dias correm como gostaria. 

No meu pedestal de cortiça, convido todos os decisores das políticas educativas a passarem uma semana com crianças entre os três e os seis anos, mais precisamente com 25. Dou-lhes  o  mesmo material didático que uso desde o primeiro dia que qualquer das crianças chegou à sala. Para as que têm seis anos e frequentam o Jardim há 3 ou 4, os ditos materiais têm muitos e muitos dias de uso. Mesmo que uma criança  e os adultos sejam criativos já exploraram possivelmente todas as formas de utilização dos  ditos cujos. 

As crianças mais novas necessitam de descansar no período da tarde, o dia é exaustivo porque as crianças não passam toda a manhã sentadas, e mesmo sentadas as crianças cansam-se, porque o estado de obrigatoriedade, sendo uma contrariedade para as crianças, também lhes cria  ansiedade . Tento por isso que estejam em atividade mental e física. 
Após o almoço quem disse que uma hora de descanso é contraproducente? 
Algum decisor político...
E descansar onde?
A Irritabilidade das crianças torna-as mais inquietas,  mais stressadas em estados que não são nem frutíferos para elas nem para os colegas.

Repenso a minha prática todos os dias, aqui vos tenho deixado os momentos bons e os  menos  bons. É uma tentativa de partilha em todos os sentidos. 

Curioso, quando nos deparamos com insucesso escolar em números elevados, e a cura para este mal qual é?
Mais e mais crianças por grupo com idades diferentes. Dizem-me:
"É a lei!"
Mas há boas e más leis não é? 
E eu não sou uma pessoa conformada.
  INFÂNCIA SÓ HÁ UMA  E QUEREMOS QUE SE PASSE POR ELA COM BOAS MEMÓRIAS. É NA INFÂNCIA QUE MUITAS COISAS DESABROCHAM. FAÇAMOS FORTES ALICERCES PARA TERMOS FORTES CONSTRUÇÕES. 
Mas deem-nos condições!!!!!!!!